sexta-feira, 10 de julho de 2009

Ninho d'alma

"O sorriso desenha uma imagem que se reconhece no coração e prevalece sem razão, como uma beleza gratuita de guardar sempre num pequeno embrulho de querer"
Márcio Ahimsa

Um descansar vestido de abraço e o tempo diminui seu ritmo.
Um laço estreito, um respirar e outro, um menino contador de histórias.
A música que canta suas notas, dissemina sua letra em tons de sorrisos lânguidos e acordes em ponta de dedos que ao tocar os cabelos e a face adormecida, pianam os contornos da alma.

Não importa nada lá fora, não se julga nada aqui dentro. Nem o que se deve, nem o que deveria acontecer. A mistura é essa mesma - da conversa sobre a vida ao desejo desembrulhado no lençol.
Do bem querer ao bom demais...

O coração bate ora mansinho, ora acelerado e os pulmões se enchem de ar por vezes incontáveis. A rádio ainda toca baixinho seus clássicos e modernos e os braços se reencontram espreguiçados, fazendo de um novo abraço cobertor.

Sono e sonhos se alternam.
Histórias são escritas, contadas e lidas entre um fechar de olhos sorrindo, entre um abrir de sorrisos que brotam mesmo de dentro.

Ah, não precisa ser poeta pra entender! Quando se sente, inevitavelmente se sabe.

E o que fica, tem gosto de simplicidade. Mas, não falo da simplicidade das paredes brancas e lisas, do branco dos lençóis, nem daquela mesinha singela refletida no espelho.
E sim desse jeito simples de se viver sentindo cada instante presente, com quem faz parte dele.
Da brancura do ser, do sorriso... não dos dentes.
Da transparência do sentir... a si mesmo e ao próximo.
De gestos que se espalham pelas mãos da sensibilidade e de se perceber por dentro.

Falo dessa busca por encontrar histórias que são contadas principalmente assim, pelo livro que existe sempre num fundo de olhar... e das tantas coisas que se descobre por horas a fio e quando não se tem pressa em descobrir o que quer que seja.
Dessa leitura do ser, quando se está e se permite ser inteiro.
Da calmaria explosivamente branda que mora entre os espaços a serem preenchidos, mesmo que pelas horas que deveriam ficar inertes...

É isso que me faz feliz e é nisso que minha alma descansa. Pois o meu sentir é puro e simplesmente assim, sem segredo algum. Principalmente se for compartilhado.
Imagem: Mark Hanauer
ao som de: Norah Jones: One Flight Down

7 comentários:

Nanda Assis disse...

com certeza n precisa ser poeta, pq so o fato de amarmos nos torna poetas.

bjosss...

Erica Maria disse...

Estava com saudades dos seus textos!!

Lindo!

Bjos Flor, bom fim de semana!

Olavo disse...

Que sentir mais belo esse..
bom final de semana
beijos

Márcio Ahimsa disse...

Puxa, Sam, querida. Gostei muito da epígrafe com que abres teu belo texto (nem sei porquê, né?, rs). Fico lisonjeado. Mas confesso, gostei mais da essência que se desenhou em cada palavra, em cada ternura, cada brancura branda nessas linhas tuas, transparentes e dotadas de amor, como tua alma (também nem sei porquê...).

Bom, beijos em seu coração de menina cheia de candura.
Adoro o que escreves, adoro o que és.

Paulo R Diesel disse...

As vezes, Sam, fico me perguntando se o nosso leitor lê mesmo o que nós escrevemos.Não só ler, mas se ele entende o que queremos dizer.
No meu caso, quando leio os teus textos, sinto e leio palavra por palavra, pois elas brotam simples e diretas de dentro da tua alma, dos teus sentimentos, como tu mesmo o dizes.

Neijo, guria.

©tossan disse...

Do bem querer ao bom demais...Falo dessa tua simplicidade sofisticada e da calma explosiva que me encanta ao ler-te. Vou te contar...Beijo

Luana Ferraz disse...

Que lindo Sam....